‘Vida diferente’, diz mãe de Matheus sobre luta por transplante nos EUA

Por: Raquel Freitas do G1 MG

Garoto entrou em campo com atletas do Cruzeiro e emocionou o Mineirão. Menino tem doença grave; família faz campanha para realizar cirurgia.

Matheus Oliveira, de 6 anos, está em internação domiciliar (Foto: Gecilene Oliveira/Arquivo Pessoal)

Matheus Oliveira, de 6 anos, está em internação
domiciliar (Foto: Gecilene Oliveira/Arquivo Pessoal)

“Ele é uma criança espetacular, ele merece ter uma vida diferente. Toda criança merece, mas eu sou a responsável por fazer ele feliz e tenho que correr atrás”. O desabafo é da funcionária pública Gecilene Oliveira, mãe do pequeno Matheus, de 6 anos, que sofre de uma doença grave e, neste fim de semana, emocionou o Mineirão ao entrar em campo com jogadores do Cruzeiro. Para tentar dar mais qualidade vida ao filho, ela e a família lutam para conseguir que o menino realize um transplante de intestino nos Estados Unidos.

Segundo Gecilene, os custos iniciais para a cirurgia são bastante altos – US$ 1 milhão. Na última semana, para tentar arrecadar a quantia, ela começou a campanha “Juntos pelo Matheus” na internet. Ela ainda não sabe quanto foi arrecadado, mas está esperançosa.

Um grande incentivo para a campanha veio depois de Gecilene ver a repercussão de um post feito por ela na internet, pedindo que a torcida do Cruzeiro falasse o nome de Matheus quando ele entrasse em campo. Segundo a funcionária pública, foram inúmeros compartilhamentos e, no domingo, o som da arquibancada gritando “Matheus, guerreiro” tomou o estádio. “Ele ficou muito eufórico, muito feliz, muito emocionado”, diz.

Família faz campanha para arrecadar dinheiro para que o pequeno Matheus possa realizar transplante nos EUA (Foto: Reprodução/TV Globo)

Família faz campanha para arrecadar dinheiro para que o pequeno Matheus possa realizar transplante nos EUA (Foto: Reprodução/TV Globo)

Além da mobilização na internet para arrecadar dinheiro, a família pretende acionar a Justiça para tentar que o governo custeie o tratamento. Gecilene diz que já está em contato com o advogado que defendia a de família do menino Pedrinho. Em julho deste ano, uma decisão judicial obrigou que a União pagasse o transplante de intestino para o bebê, de 1 ano, nos Estados Unidos. Porém, não houve tempo para salvar a vida de Pedrinho, que acabou morrendo cerca de 20 dias depois.

Diagnosticado com displasia neural intestinal e com deficiência visual, o pequeno Matheus ficou internado por um ano no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, onde Gecilene trabalha como técnica de enfermagem. Há cerca de um mês, ele teve alta e voltou para a casa onde mora em Betim, na Região Metropolitana. O retorno foi uma aventura. A equipe médica entrou na brincadeira de Matheus e ajudou a simular um plano de fuga.

Matheus deixou hospital em uma simulação de 'fuga' (Foto: Reprodução/TV Globo)

Matheus deixou hospital em uma simulação de ‘fuga’ (Foto: Reprodução/TV Globo)

Gecilene diz que o filho é uma criança muito ativa. “O Matheus não gosta de ficar em casa sem receber visita, não gosta de ficar sem fazer nada. Está sempre brincando”, conta. Entretanto, por causa da doença, o menino convive com uma série de obstáculos.

Matheus, que praticamente não consegue se alimentar normalmente, precisa de equipamentos para garantir a nutrição e para que seu intestino não atrofie. A técnica de enfermagem afirma que um deles é uma bomba de infusão, cuja bateria dura cerca de 40 minutos sem recarregar. “É muito difícil. Se ele só não enxergasse, ele poderia fazer tudo. Mas, com a bomba ele tem essa restrição, sem contar do mal estar que ele sente”, pontua.

Por isso, idas a consultas na capital ou passeios, como o que Matheus fez no último domingo ao Mineirão, demandam muitos cuidados. Gecilene sempre tem de ficar atenta à tomada mais próxima para garantir o funcionamento da bomba. Com a campanha, ela também pretender conseguir dinheiro para comprar um equipamento mais moderno, que poderá dar mais mobilidade ao filho.

E o apoio, segundo a técnica de enfermagem, tem vindo de diversas formas, não só financeira. “Isso para mim é uma bênção”, afirma Gecilene. Os estudos, por exemplo, têm contado com o ajuda de voluntárias. Mesmo sem estar matriculado em uma escola convencional por orientação médica, o garoto não fica sem estudar. Em casa, ele tem aulas para aprender braile e para se alfabetizar.