Tempo Novo

Crônica

 

Tempo Novo

 

Por: LUIZ VIEGAS DE CARVALHO

 

O tempo que marca dois mil e dezessete anos depois de Cristo pode ser chamado de novo? As agendas e folhinhas retratam o sistema de medir esse tempo em horas e dias. E’ o calendário. Seria uma caderneta de contas?

 

O tempo medido, contado, desperta a ideia de duração. A duração gera os conceitos de presente, passado e futuro. Sucessão de eventos que os humanos vão lembrando, presenciando e esperando.

 

E essa duração da vida e do universo é bordada de fantasias, sonhos, simbolismos, mitologias, verdades e mentiras. E como a ilusão é intrínseca à mente humana, não faltam adeptos para todas essas imaginações. O tempo voa, mas as lembranças muitas vezes permanecem, alegrando ou incomodando. E’ bom sossegar, pois já se disse que há coisas que levam tempo para passar. E outras, o tempo leva.

 

De fato, nossa vida é um constante viajar. Nessa trajetória, a única certeza é o inesperado das transformações, agradáveis ou não.  Nas paradas podemos sentir um pouco as ondas do mar, o colorido das borboletas em movimento, o desabrochar das flores, o sorriso de uma criança, os abraços de amigos e suas palavras de incentivo, mesmo quando não são lá muito sinceras.

 

Mário Quintana escreveu que carregava um saco de ilusões nas costas, mas cada vez que se safava de uma sentia extraordinária sensação de alívio. E, como bem lembrou o Papa Francisco, convém não esquecer que “somos todos migrantes e que ninguém tem moradia fixa na terra”. Além disso, recordo-me da frase de Saramago: “A grande sabedoria, penso eu, é ter um sentido relativizado de tudo. Não dramatizar nada”. Daqui nada se leva. Talvez seja por isso que o sábio não vive competindo.

 

Terminando essa conversa, deparei-me com a carta que o físico Albert Einstein (1879-1955) escreveu para sua filha Lieserl. Para o famoso sábio, há uma força poderosa para a qual a ciência, até agora, não encontrou uma explicação. E’ uma força que inclui e governa todas as demais. Acreditava ele que para a sobrevivência da humanidade é necessário encontrar o sentido da vida e descobrir que somos habitantes da terra. Essa força seria “uma bomba do amor bastante potente capaz de destruir todo ódio, o egoísmo e a avareza que assolam o planeta. Cada indivíduo leva no seu interior um pequeno, mas poderoso gerador de amor, cuja energia espera ser libertada. Quando aprendermos a dar e receber esta energia universal, querida Lieserl, compreenderemos que o amor tudo vence, tudo transcende e tudo pode, porque o amor é a quintessência da vida”.

 

Tempos novos para todos, apesar dos vendavais.