Campanha tenta manter projeto social no bairro do Alemão

Mariluce Mariá faz pinturas urbanas junto a crianças da região.

Projeto corre o risco de ser interrompido por falta de recursos.

Do G1

Mariluce Mariá luta para manter o projeto social Favela Art, onde faz pinturas urbanas e em quadros, junto com crianças e adolescentes do Complexo do Alemão,  (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Mariluce Mariá luta para manter o projeto social Favela Art, onde faz pinturas urbanas e em quadros, junto com crianças e adolescentes do Complexo do Alemão, (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A artista plástica Mariluce Mariá Souza, moradora do Conjunto de Favelas do Alemão, faz um apelo, nas redes sociais, por doações que possam ajudar a manter seu projeto social “Favela Art”na comunidade. O projeto oferece oficinas de educação artísticas para 180 crianças e adolescentes, com idade entre 10 e 14 anos, e cria pinturas urbanas em paredes e muros da comunidade.

Mariluce arrecada fundos para o projeto por meio da venda dos quadros produzidos nas oficinas. Em texto compartilhado pela artista na internet, ela explica que os confrontos diários que ocorrem na comunidade prejudicaram a visitação de turistas que era esperada durante a Olimpíada. Com isso, a artista acabou não chegando nem à margem de lucro necessária para comprar mais potes de tintas para as crianças.

“Vou ter que parar o projeto com as crianças porque os gringos não visitaram a favela e tudo que temos está lá parado. Esse link é da campanha que uns amigos americanos estão fazendo, mas precisa de divulgação, ou então não poderei fazer mais nada por todas as crianças e adolescentes que acreditam em mim”, destacou a artista em seu apelo.

O projeto reune cerca de 60 crianças para pintar quadros, ruas e paredes (Foto: Divulgação/Bruno Itan)

O projeto reúne cerca de 60 crianças para pintar quadros, ruas e paredes (Foto: Divulgação/Bruno Itan)

Segundo Mariluce, as atividades de pintura promovem mais disciplina e esperança para as crianças. “Através do projeto muitas crianças que tinham comportamento agressivo e rebelde, hoje já são mais calmas e até mesmo têm retornado para a escola”, relata.

Além do desenvolvimento pessoal das crianças e adolescentes que participam do projeto, a artista conta que a pintura urbana ajuda a “apagar” as marcas da violência na comunidade.

“Ao pintar os muros e áreas locais, mudamos os símbolos violentos em nossa região, e apagamos as marcas da guerra. Ver o nosso trabalho artístico faz as pessoas refletirem. Eles não querem vandalizar um local pintado por crianças”, destacou.

Projeto Favela Art (Foto: Divulgação/Bruno Itan)

Dentre as pinturas da estação de teleférico das Palmeiras, o grupo recriou a brincadeira “amarelinha”, em frente à estação (Foto: Divulgação/Bruno Itan)

O projeto Favela Art foi criado por Mariluce em 2014. No mesmo ano, dois amigos norte-americanos abraçaram a causa, após participarem de um debate com a artista, e criaram uma campanha para arrecadar recursos na plataforma online da Gofundme.

Além de aumentar as doações por meio da plataforma online, Mariluce espera conseguir vender os quadros pintados pelas crianças na Feira Carioquíssima Gourmet, que acontece no Boulevard Olímpico da Praça Mauá nos dias 2, 3 e 4 de setembro, das 12h às 20h.

“Recebemos o convite dos organizadores para expor o trabalho das crianças e tentar arrecadar recursos para o projeto”, contou, esperançosa.

*Com supervisão de Daniel Silveira.

Projeto Favela Art colore ruas, chão, postes e paredes pelo Complexo do Alemão (Foto: Divulgação/Mariluce Mariá)

Projeto Favela Art colore ruas, chão, postes e paredes pelo Complexo do Alemão (Foto: Divulgação/Mariluce Mariá)