A Alma de Santa Olímpia

convite

 

Recém-formada em jornalismo, Gabriela A. Ferraz, lança seu primeiro livro-reportagem no próximo sábado, dia 1º de outubro, às 16h, no Café Tirol em Santa Olímpia. A produção aborda a colônia tirolesa localizada na área rural do município de Piracicaba – São Paulo. Sem pretensões históricas, o livro apre-senta a comunidade a partir de uma ótica humanizada, retratando o modo de viver dos descendentes de imigrantes europeus. Recortes da vida cotidiana são a essência da produção, que destaca a luta da comunidade pela perpetuação das tradições e do modo de vida dos antepassados que constroem a identidade das próximas gerações.

A produção valoriza a cultura e produz uma abordagem próxima aos protagonistas da realidade do bairro, por meio de recursos sinestéticos e de caráter humanizado. Os personagens escolhidos, em sua subjetividade, personalizam o que é universal ao contexto abordado e retratam o que é “ser tirolês” na atualidade a partir de seus valores e costumes . “O que foi projetado, não foi a valorização dos fatos como acontecimentos isolados, mas o envolvimento de grandes personagens – que tem muito o que contar, o que dizer e o que acrescentar ao debate público, à memória e ao patrimônio da história da humanidade”, disse a jornalista.

A linguagem literária resgata os fatos de modo mais profundo, enriquecendo a transmissão do conte-údo ao leitor e permitindo a interconexão dos acontecimentos, o que favorece o entendimento e torna a produção atemporal. “Eu fui inúmeras vezes ao bairro disposta a ouvir. Ouvir com o coração, despida de pré-conceitos ou presunções. Queria perceber o que era falado e também o silêncio – que também é pura informação. Não era um jogo de perguntas e respostas mecânicas, mas o ato de perceber, com todos os sentidos, o que era passado, para depois, transmitir com as palavras”.

“A Alma de Santa Olimpia” foi resultado do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) apresentado por Gabriela em 2015 para ? nalizar o curso de jornalismo. “Escrever um livro em apenas três meses não é ta-refa fácil. Eu trabalhava o dia todo, ia alguns dias à noite para a faculdade e todos os ? ns de semana para Santa Olimpia”, relatou. Mas para ela, tudo valeu a pena e o aprendizado foi essencial para a vida acadê-mica e também pessoal. “Acredito que cresci bastante com a responsabilidade intensa e com o contato com pessoas tão especiais e únicas. Carrego o bairro no coração e nas atitudes”.

De acordo com a jornalista, para o público externo, o livro apresenta a realidade da comunidade, cons-truída pelos imigrantes e vivenciada por seus descendentes; e para o público interno, proporciona o re-conhecimento pela assimilação e pela possibilidade de eternizar depoimentos de ? guras essenciais para a comunidade; con? gurando-se com um memorial. Para auxiliar o entendimento das descrições, o livro é permeado por fotogra? as que foram tiradas durante as visitas ao local. “Acredito que a abordagem cul-tural anseia por imagens – que tornam palpáveis as representações simbólicas dos objetos, da culinária, dos trajes e até mesmo dos per? s abordados”, disse.

O trabalho busca inspiração na obra “A vida que ninguém vê”, da jornalista Eliane Brum, que relata a vida aparentemente comum de pessoas do estado do Rio Grande do Sul. “Senti a emoção de cada entrevistado dela [Eliane Brum]. E era assim que eu queria tratar as pessoas de Santa Olímpia – valorizá-las como merecem, praticando um jornalismo humano, de profundidade, humanizado”. Gabriela categoriza o livro como uma homenagem à cultura que a emocionou e um convite à descoberta de uma nova realidade não a partir de pontos turísticos, mas dos relatos de quem a constrói diariamente. “Gente unida, feliz, que carrega no sotaque e no sorriso a herança de luta e de valorização da própria cultura.”

Ouça a entrevista abaixo:

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